Casos de Parkinson podem dobrar no Brasil e no mundo até 2050

Entenda por que a doença de Parkinson cresce tão rápido e o que pode ser feito

Em 2018, dois anos antes da pandemia de covid-19, um artigo científico alertava para o surgimento de outra pandemia: a da doença de Parkinson. O termo não faz referência a uma doença infecciosa, mas à condição de saúde que cresce vertiginosamente junto ao envelhecimento da população.

Entre 1990 e 2015, a prevalência do Parkinson mais que dobrou na população mundial. Em 2021, estimava-se que 11,3 milhões de pessoas no mundo viviam com a doença. A previsão é de que em 2050 esse número chegue a 25,2 milhões, o que representa um aumento de 112%, segundo outro estudo publicado na revista científica The BMJ.

O Brasil segue a mesma tendência: no ano passado, pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) publicaram um artigo artigo que revelou que mais de 500 mil brasileiros com 50 anos ou mais vivem com Parkinson. O número pode ultrapassar 1,2 milhão de casos em 2060.

“[O aumento se dá], primeiro, porque as pessoas vivem mais. Segundo, porque tratamos melhor os pacientes, o que faz com que eles vivam mais tempo com a doença e cheguem a estágios mais avançados, que exigem mais cuidados. Isso significa que, proporcionalmente, haverá mais pessoas precisando de tratamento ou cuidando de alguém com a doença”, explicou Joaquim Ferreira, neurologista português especialista em doenças do movimento. O médico foi um dos convidados internacionais para falar sobre saúde mental e neurociência na última edição do Congresso Brain, Behavior and Emotions, realizado em Fortaleza (CE).

Como impedir o aumento dos casos de Parkinson?

Segundo o especialista, não se pode mais continuar vendo a doença como algo inevitável. Hoje já se sabe que existem fatores modificáveis relacionados ao desenvolvimento do Parkinson, como condições ambientais, prática de atividade física, saúde vascular e socialização. É possível agir nesses fatores para reduzir o número de casos ou, ao menos, retardar o aparecimento da doença.

“O modelo atual, centrado apenas na consulta médica, é ultrapassado. Os médicos também precisam lembrar de tratar sintomas ‘esquecidos’, como depressão, ansiedade, constipação. Esses sintomas são relevantes para o paciente e, muitas vezes, negligenciados”, destacou o dr. Joaquim.

De acordo com ele, os sintomas de maior impacto na vida do paciente com Parkinson são os não motores, como alterações cognitivas e de comportamento, distúrbios do sono, dificuldade para andar, risco de quedas e perda de autonomia. Os medicamentos disponíveis atualmente, no entanto, agem mais sobre tremores, rigidez e lentidão.

Além disso, como o número total de pessoas com Parkinson está aumentando, cresce também o número de diagnósticos em pessoas mais jovens.

“Nos jovens, como a carga genética é mais relevante, temos menos capacidade de prevenção. Mas as recomendações para envelhecer com saúde são, em grande parte, as mesmas: dieta equilibrada, atividade física e controle de fatores de risco cardiovasculares. Isso serve tanto para doenças neurodegenerativas como para doenças do coração. O cérebro e o coração estão mais ligados do que costumávamos pensar”, afirmou.

Beatriz Zolin é jornalista e atua na Redação do Portal Drauzio Varella. Colabora principalmente com assuntos relacionados à saúde e sociedade, sexualidade e psicologia.

Extraído do Portal Drausio